Press "Enter" to skip to content

Tudo sobre o Transtorno de Processamento Sensorial com ou sem Autismo

O Transtorno de Processamento Sensorial se caracteriza por uma alteração na forma como o cérebro recebe e organiza as informações que chegam dos sentidos, influenciando a resposta dada pelo indivíduo. Sons, gostos, cheiros são interpretados erroneamente pelo sistema nervoso de quem porta o distúrbio. Esse transtorno tem grande incidência em crianças autistas, contemplando por volta de 90% dos casos. No entanto, o TPS não é exclusivo dos autistas: de acordo com estatísticas americanas, 1 a cada 20 pessoas apresentam algum tipo de problema de processamento sensorial.

Estudos mostram que o Transtorno de Processamento Sensorial afeta de 5 a 16% das crianças em idade escolar. Dessa forma, elas apresentam dificuldades em processar estímulos, o que acaba causando hiper ou hipossensibilidade ao som, visão e tato. Também podem acabar manifestando problemas na capacidade motora e fácil distração.

Além de afetar os sentidos que já conhecemos – o tato, a visão, o olfato, o paladar e a audição – o Transtorno de Processamento Sensorial também afeta os sentidos proprioceptivo e vestibular. O sentido proprioceptivo permite ao indivíduo perceber a localização de seu corpo no espaço, reconhecendo suas forças e articulações de acordo com o esforço necessário. Já o sistema vestibular é responsável pelo equilíbrio, detectando informações importantes como o balanço, a gravidade, a posição do corpo e a distância. Muitas vezes a criança “estabanada”, com movimentos atrapalhados e dificuldades na coordenação motora pode ser portadora do distúrbio.

Quais os Sintomas?

criança cobrindo os ouvidos

Como detectar o Transtorno do Processamento Sensorial sem Autismo:

A chave para identificar se uma criança está apresentando o transtorno é a observação. Caso o transtorno seja mais geral, o indivíduo costuma ter uma total desorientação em relação ao ambiente. As crianças diagnosticadas costumam apresentar níveis de coordenação mais baixos.

Resumidamente, uma criança que apresenta o Transtorno de Processamento Sensorial não responde aos estímulos do ambiente de maneira normal ou padrão. As percepções podem ser maiores ou menores, dependendo do estímulo.

Em alguns casos, o quadro é bastante incômodo para quem sofre. Ser impedido de processar sensações de forma adequada pode deixar a criança bastante estressada, podendo chegar a colapsos ao serem expostas a muitos estímulos. A recomendação é não forçar as situações, oferecendo à criança um local de paz, com pouco barulho e iluminação até que ela se acalme.

As crianças que portam o distúrbio e ainda não foram diagnosticadas costumam ser mal interpretadas e punidas injustamente, como se estivessem sempre fazendo “birra”. Seus comportamentos são vistos como “maus”, sem sequer considerarem um problema neurofisiológico.

Como detectar o Transtorno de Processamento Sensorial com Autismo:

Como já vimos, a maior parte dos casos de autismo apresentam algum grau do Transtorno de Processamento Sensorial. Eles podem se dividir entre sensory seekers (os que têm menor sensibilidade aos estímulos) e sensory avoiders (cuja maior sensibilidade os fazem evitar os estímulos). Nas crianças, é fácil identificar observando o comportamento diário.

Características dos sensory seekers:

  • Gostam de girar;
  • Sobem em coisas muito altas;
  • Costumam trombar-se nas coisas;
  • Coloca coisas não comestíveis na boca;
  • Mastiga coisas que não são comestíveis, como a própria roupa;
  • Come excessivamente;
  • Gosta de tocar em tudo;
  • Brinca com a comida e faz bagunça para comer;
  • Tem pouca resposta à dor;
  • Gosta de andar descalço;
  • Mastiga a escova de dentes;
  • Tem dificuldades em ficar sentado;
  • Cai da cadeira sem razão aparente;
  • Procura barulhos altos;
  • Não consegue regular bem o volume da voz;
  • Tem mania de cheirar tudo.

Características dos sensory avoiders:

  • É excessivamente seletivo com alimentos;
  • Cobre as orelhas quando há muito barulho;
  • Não gosta de ser tocado;
  • Fica incomodado com etiquetas e costuras das roupas;
  • Não gosta de colocar sapatos;
  • Evita atividades que sujam;
  • Evita atividades manuais;
  • Anda nas pontas dos pés;
  • Não gosta de ter pessoas próximas demais;
  • Não gosta de água no rosto;
  • Reclama de cheiros fortes;
  • É muito sensível à luz;
  • É super sensível à dor.

A criança não costuma ser 100% de um tipo. Normalmente ela apresenta mais características de uma, mas com pinceladas da outra.

Diagnóstico:

criança tocando na areia

Para ser considerado realmente o Transtorno de Processamento Sensorial, o paciente deve apresentar reações contínuas, onde as experiências sensoriais se tornam perturbadoras, gerando impacto negativo no desenvolvimento do indivíduo.

No entanto, nem sempre as reações são as mesmas a um determinado estímulo. Isso acaba levando à duvida dos pais e especialistas quanto o diagnóstico.

Por isso, o diagnóstico deve ser feito através de uma avaliação observacional que segue protocolos rígidos. O Terapeuta Ocupacional é o responsável pelos encaminhamentos feitos para o que o indivíduo consiga controlar o quadro e desenvolver-se da melhora maneira possível.

Tratamento:

transtorno de processamento sensorial

Como já vimos, o tratamento ideal para cada caso deve ser encaminhado e acompanhado com um Terapeuta Ocupacional, que fará avaliações para identificar o grau do distúrbio. Os testes mais utilizados são o de Avaliação de Processamento Sensorial (SIPT), o de Medida de Processamento Sensorial (SPM), o de Perfil Sensorial e as Observações Clínicas em Integração Social. A investigação deve testar as respostas dos diversos sistemas sensoriais, principalmente o tátil, o proprioceptivo e o vestibular.

O Transtorno de Processamento Sensorial não tem cura. Em alguns casos, o paciente responde bem, podendo até parecer que alcançou a cura. O objetivo principal do tratamento é aumentar a funcionalidade e diminuir os estímulos que desencadeiam crises. A terapia costuma ser eficaz na hora de mudar a forma como a criança organiza e interpreta as informações sensoriais a partir de seus ambientes diários. Isso faz com que fique mais fácil levar uma vida produtiva, feliz e controlada.

Be First to Comment

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *