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Relação da Plasticidade Cerebral e Poda Neural com o Transtorno do Espectro do Autismo

O que é plasticidade e poda neural? Plasticidade neural é um conceito ligado à capacidade do nosso cérebro de formar novos neurônios e redesignar novas funções. Por exemplo, você teve um dedo amputado. O cérebro irá “podar” os neurônios ligados àquele dedo, mas isso não significa que aquele espaço daqueles neurônios serão inutilizados. Novos neurônios serão formados e redesignados para alguma outra função, nesse caso, para o movimento do dedo ao lado do dedo amputado. Basicamente, a plasticidade neural é a projeção de novas sinapses e a poda é a inutilização de funções neurais que não são mais necessárias. Mas qual a relação disso com o Transtorno do Espectro do Autismo? Esse será o assunto de hoje.

 

O que é?

Antes de entender como a plasticidade e a poda estão relacionadas com o espectro autista, é necessário entender o que é o espectro. O Transtorno do Espectro Autista (TEA) são diferentes condições caracterizadas por desordens no desenvolvimento neurológico. Geralmente apresentam uma ou três características fundamentais: dificuldade de comunicação causada pela deficiência na aprendizagem da linguagem, dificuldade na socialização e um padrão no comportamento sendo eles restritivos ou repetitivos. A denominação Espectro se dá porque os casos variam muito entre si e apresentam características bem particulares, sendo difícil o diagnóstico. Entretanto, todos os casos dentro do Espectro apresentam as características fundamentais, podendo variar entre leve e grave.

Criança usando tablet.

O Transtorno do Espectro Autista é categorizado em três tipos, sendo eles:

  • Autismo clássico – os indivíduos portadores do autismo clássico não costumam ter um bom desempenho socialmente por não estabelecer contato verbal e visual. Costumam falar, mas não utilizam dessa ferramenta. Geralmente são indivíduos voltados para si mesmo, que não conseguem compreender muito bem a linguagem (apenas no sentido literal) e apresentam grandes dificuldades em situações de comunicação mais complexa. A gravidade varia muito, sendo os casos mais severos a ausência completa de relação interpessoal.
  • Síndrome de Asperger – é um espectro do autismo mais brando. Os portadores desse tipo de autismo costumam ser falantes e inteligentes. Costumam ter qi elevado e podem ser super dotadas. Dependendo do nível de dificuldade de socialização, as pessoas que sofrem de Asperger podem levar uma vida completamente normal.
  • Distúrbio global do desenvolvimento sem outras especificações – os portadores desse tipo de autismo apresentam as características fundamentais, mas os sintomas e o comportamento não são suficientes para diagnóstico mais preciso.

Quais as Causas?

Há um forte componente genético ligado à incidência do autismo. Entretanto, a doença pode acontecer nos três primeiros anos de vida, época em que os neurônios responsáveis pela comunicação e pela socialização deixam de formar as conexões necessárias. Essa falha nas conexões necessárias fazem parte do processo de poda neural. O processo é natural, que serve para reduzir o número de neurônios e sinapses. A poda neural acontecem diversas vezes ao longo da vida, por fatores biológicos e externos. A função principal é manter as sinapses úteis, descartas as sinapses que não são mais necessárias e dar lugar para novas funções neurais.

A sinapse é a função de comunicação entre os neurônios. É por meio dessa comunicação que atividades básicas como comunicação, interação e movimento são realizadas. Quando há a quebra dessa comunicação acontece uma debilitação da atividade. A suposição de que as sinapses e a poda neural fossem a provável causa do autismo foi levantada em 2003 pelo médico neurologista Huda Zoghbi. A afirmação foi baseada em estudos realizados na França que identificaram mutações em proteínas responsáveis pelas sinapses em dois portadores de autismo.

Mulher analisando amostra em laboratório

De acordo com a comunidade científica, a explicação para o desenvolvimento do autismo é o equilíbrio da interação entre as sinapses. Mutações nas proteínas responsáveis pela comunicação provocam desequilíbrios entre as funções e afetam o aprendizado, a memória, a linguagem e a sociabilidade. A plasticidade neural é a base para a evolução do aprendizado e a manutenção da memória. Por meio das sinapses e da poda neural, mantemos o aprendizado que é útil e as nossas memórias. Qualquer deficiência nesse processo pode causar severas consequências.

Depoimentos

Como Tratar?

Apesar do grande número de pesquisas no mundo inteiro, ainda não há uma cura para o autismo. Também não um tratamento padronizado para o autismo. Assim como o diagnóstico é muito particular para cada portador de autismo, o tratamento também é. Apesar do tratamento, é muito importante a união familiar para cuidar de um familiar que sofra de Transtorno do Espectro Autista. Existem organizações sem fins lucrativos que orientam familiares no desenvolvimento do portador de autismo. Com o propósito de orientar familiares de autistas, médicos recomendam atitudes simples para o melhor desenvolvimento:

  • É clinicamente recomendado estabelecer um meio de comunicação com o portador de autismo. Não precisa necessariamente ser a fala, mas qualquer meio que seja efetivo para compreensão do autista.
  • Frequentemente autistas ficam perturbados com mudanças. Evite mudanças bruscas, siga uma rotina.
  • Apesar das políticas de inclusão, pode ser que o portador do autismo necessite de atendimento individualizado. Se for o caso, procure por instituições de ensino com essas características.
  • Encoraje o portador de autismo a estudar. Há estudos comprovados de que autistas especializados atingem níveis de genialidade.
  • Medicamentos só são indicados em casos particulares. Não aceite dicas encontradas na internet relacionados à medicação irresponsável ou procedimentos suspeitos.

Brinquedos infantis

 

Fontes

https://drauziovarella.uol.com.br/doencas-e-sintomas/transtorno-do-espectro-autista-tea/

http://repositorio.unicamp.br/handle/plasticidade-neural

http://seer.uscs.edu.br/index.php/transtorno-espectro-autista

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