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A Estimulação Cerebral melhora a Esquizofrenia?

De uma forma geral, a Neuromodulação consiste na capacidade que o sistema nervoso tem de se modular, ou seja, alterar-se por conta de estímulos externos. Nos dias atuais, por outro lado, o termo é usado para identificar recursos relacionados a estimulação elétrica ou medicação aplicadas de forma direta nas estruturas do sistema nervoso com fins terapêuticos. A partir disso, esses procedimentos são feitos de diversas formas, que podem ser invasivas – quando é preciso realizar um implante de eletrodos, marca-passos ou bombas de medicamentos -, ou não invasivas, ou seja, quando o processo é feito sem cirurgias.

Os tipos de Neuromodulação não-invasiva são:

  • Estimulação Magnética Transcraniana Repetiva (EMTr);
  • Estimulação Transcraniana de Corrente Contínua (ETCc);
  • Eletroconvulsoterapia (ECT);
  • Terapia por Campo Eletromagnético Pulsado (PMFE).

Enquanto os tipos de Neuromodulação invasiva são:

  • Estimulação Cerebral Profunda (ECP);
  • Cirurgia de implante no córtex motor;
  • Estimulação dos nervos periféricos invasiva;
  • Estimulação medular invasiva.

Dessa forma, condições como Esquizofrenia, Doença de Parkinson, Bipolaridade, Depressão, Distúrbio Cognitivo, Transtorno obsessivo compulsivo (TOC), Ansiedade, entre outras podem ser tratadas através desse tipo de terapia.

Para que serve a Estimulação Cerebral Profunda?

simulação de estimulação cerebral profunda em paciente com esquizofrenia

Geralmente usada como uma terapia auxiliar no controle e redução de sintomas mais graves da na Doença de Parkinson, a Estimulação Cerebral Profunda é caracterizada por um procedimento cirúrgico no qual eletrodos são colocados em regiões profundas do cérebro.Embora, segundo pesquisas, também fosse uma opção para o tratamento de pacientes com Depressão e Transtorno Obsessivo Compulsivo (TOC) que não respondem a outras terapias, a Estimulação Cerebral Profunda ainda não possuía muitas respostas para a Esquizofrenia. No entanto, novos estudos mostraram que, mesmo de forma preliminar, o procedimento pode ser eficaz para a condição resistente ao tratamento.Para saber como o tratamento através da Estimulação Cerebral Profunda atua no sistema nervoso e ajuda pacientes com Esquizofrenia, entenda primeiro quais são as características do transtorno.

Entenda o que é Esquizofrenia

mulher com esquizofrenia

A Esquizofrenia é um transtorno psiquiátrico caracterizado por uma disfunção cerebral que altera o modo como a pessoa vê o mundo, causando alucinações, delírios, surtos e dificuldades em diferenciar o que é real e o que não é. Cerca de 2 milhões de brasileiros sofrem com a doença crônica, que geralmente surge no final da adolescência e início da vida adulta, entre as idades de 15 e 20 anos nos homens e perto dos 30 anos nas mulheres.

Ainda não se sabe quais são as causas exatas da Esquizofrenia, mas acredita-se que fatores genéticos e ambientes possam estar por trás do seu desenvolvimento. Além disso, alterações em algumas substâncias químicas do cérebro envolvendo neurotransmissores, como o glutamato e a dopamina, também podem estar relacionadas com o surgimento da doença. A partir disso, estudos de neuroimagem apresentaram diferenças até mesmo na estrutura cerebral e no sistema nervoso central de indivíduos com Esquizofrenia quando comparados aos de pessoas saudáveis.

Por fazer parte de um grupo denominado de transtornos psicóticos, a Esquizofrenia desencadeia um quadro de Psicose, ou seja, a pessoa sofre com alterações na assimilação e no juízo sobre a realidade, assim como na sensopercepção durante as crises da doença. Além disso, é possível que mudanças de comportamento se tornem comuns por conta de lesões cerebrais causadas pela doença, influenciando no aparecimento de distúrbios cognitivos e emocionais que incluem alterações de pensamento, atenção, linguagem, raciocínio, falta de motivação, depressão, apatia, entre outros. Dessa forma, os principais sintomas de Esquizofrenia são:

Delírios

Os delírios surgem quando o cérebro sofre com alterações que mudam a forma como os eventos na realidade são captados e compreendidos. A partir disso, a pessoa delirante acredita que pode ser prejudicada por pessoas ou coisas que estão em sua volta, criando conclusões irracionais que resultam na crença de estar sendo perseguida, vigiada ou controlada por alguém.

Alucinações

Em geral, as alucinações geradas por estímulos irreais ou que não são percebidos por outras pessoas podem afetar qualquer um dos sentidos, incluindo sons e imagens. Dessa forma, a pessoa esquizofrênica ouve vozes e acredita que elas vêm do exterior, quando, na verdade, estão sendo criadas em sua própria mente. O grande perigo dessas alucinações está relacionado as ordens que as vozes podem dar para o indivíduo, incluindo a ideia de que a única solução é o suicídio.

Pensamentos desorganizados

Ao analisar as dificuldades na fala e formação de frases que os pacientes com Esquizofrenia apresentam, os profissionais da saúde chegaram a conclusão de que o problema parte de uma incapacidade de formar uma linha de pensamento coerente. Dessa forma, a pessoa tende a sofrer com danos na comunicação, e suas respostas acabam sendo desorganizadas e com pouco nexo às perguntas alheias.

Habilidade motora anormal

Pessoas com Esquizofrenia costumam ter dificuldades para se concentrar em apenas um objetivo, o que acaba atrapalhando suas atividades cotidianas. Além disso, o seu comportamento motor anormal incluí uma resistência a instruções e movimentos sem sentido em excesso.

Como a Estimulação Cerebral pode ajudar no Tratamento da Esquizofrenia?

neuromodulação

O tratamento de Esquizofrenia costumava ser realizado através de antipsicóticos que causavam muitos efeitos colaterais e, por isso, é feito atualmente com medicamentos conhecidos como de “segunda geração”, que provocam menos consequências negativas.

A Neuromodução é usada como terapia para a Esquizofrenia através da eletroconvulsoterapia, ou seja, ainda como uma forma não-invasiva. No entanto, como visto anteriormente, alguns estudos pioneiros, apresentados no 30º Congresso do European College of Neuropsychopharmacology (ECNP), mostraram resultados positivos em relação ao método de Estimulação Cerebral Profunda.

Na pesquisa realizada Dra. Alexandra Roldán, Hospital de la Santa Creu i Sant Pau, Universitat Autònoma de Barcelona, Espanha, e colaboradores, 8 pacientes com diagnóstico de Esquizofrenia e resistentes a outros tipos de tratamento, incluindo antipsicóticos e terapia eletroconvulsiva, foram avaliados com eletrodos posicionados no córtex do cíngulo anterior subgenual (CCAsg) e núcleo acumbens (Nacc).

Os resultados apresentaram melhoras significativas no tratamento da condição, no entanto, os pesquisadores não consideram o estudo como definitivo, e diversas complicações cirúrgicas possíveis devem ser levadas em consideração. Além disso, a Dra. Alexandra Roldán destacou que, embora que a cirurgia fosse usada como terapia alternativa para Esquizofrenia, seria apenas para casos mais graves por conta do valor alto.

Por fim, é importante ressaltar novamente que essas são apenas as primeiras pesquisas em relação aos benefícios da Estimulação Cerebral Profunda para Esquizofrenia e, por isso, muitas coisas podem ser descobertas futuramente. De qualquer forma, já é um grande avanço e pode ser um considerado como uma nova esperança para pacientes que não respondem a outros tratamentos.

 

Fontes: 

https://pdfs.semanticscholar.org/eea0/60c65a0fbafd39972e98afd08803c61056aa.pdf

http://www.scielo.br/pdf/pusp/v17n4/v17n4a14.pdf

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