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Saúde do cérebro e Cuidado do Espírito

No mundo moderno nos deparamos com a tecnologia invadindo cada vez mais as nossas vidas. Tomando conta dos nossos compromissos, das nossas relações amorosas, amizades e até mesmo das nossas relações familiares. Estamos cada vez mais apegados aos nossos smartphones e menos a nós mesmos e às nossas humanidades. Por outro lado, essa evolução não é necessariamente ruim. É importante criarmos consciência dos efeitos dessa tecnologia e saber desfrutar. A chave para o equilíbrio é saber diferenciar o real do virtual e não nos esquecermos de cuidarmos de nós mesmos e daqueles que nos cercam.

Mulher na contraluz orando

A espiritualidade é um ponto muito importante que estamos cada vez mais distantes. Não necessariamente uma religião especifica, mas a nossa ideia de que a vida é muito mais do que o nosso corpo físico e nossos bens materiais. A espiritualidade é definida semanticamente como a ideia de transcendência e ela pode ou não estar ligada a uma crença ou religião.

O que é?

Como dito anteriormente, a espiritualidade é a crença de que somos mais do que nossos corpo físico. É muito difícil definir mais do que isso o conceito de espiritualidade. É possível mencionar uma infinidade de atitudes que poderiam se encaixar na espiritualidade, mas é muito particular de cada um. A espiritualidade individual pode envolver práticas como trabalho voluntário, cultos religiosos e práticas como meditação.

Muito além da religião, é importante pensar na espiritualidade como a troca humana. A necessidade de se doar para o mundo humano e transformá-lo em um lugar melhor.Mesmo para pessoas céticas que não acreditam em entidades, a espiritualidade pode ser uma chave para a qualidade de vida. Não é necessário acreditar em nada, além do que bem que você pode fazer pelo outro e por si mesmo. Talvez esse seja o maior segredo do cuidado com o espírito.

Depoimentos

 

“Quando minha vida virou de cabeça para baixo depois de uma separação, decidi que aquele era o momento. Sou estudante de Psicologia e queria fazer diferença, queria viver de acordo com os meus valores e ideais mais significativos. […] Sempre quis conhecer a Ásia e esse seria o melhor jeito de juntar as minhas duas paixões, ajudar e viajar. […]

Pela manhã eu ensinaria inglês e, por mais que tivessem me orientado e ajudado  durante o final de semana sobre como lidar com as crianças e como funcionava o sistema de ensino na escola que trabalharíamos, eu nunca havia feito nada parecido antes. Todos os voluntários trabalhavam com apenas uma criança para que o aprendizado fosse mais efetivo e de qualidade.

Chegando na escola, todos vieram correndo em nossa direção, estavam curiosos para conhecer os novos voluntários. Quando descemos para nossa recepção, um choque, todas as crianças tinham algum tipo de deficiência intelectual! Achei curioso o fato de não nos terem avisado, porém, acredito que acharam que soubéssemos. A princípio, fiquei assustada, tive medo e muitas inseguranças, já havia estudado sobre deficiência intelectual na faculdade de Psicologia, porém, nunca havia tido um contato direto. Ali, do outro lado do globo, naquele imenso país, naquele pedacinho de mundo esquecido no extremo norte indiano, naquela pequenina escola, havia crianças com Autismo, Síndrome de Asperger, Síndrome de Rett, Síndrome de Down, dentre outras.

Crianças pequenas abraçadas.

As professoras me apresentaram Angeline, uma das crianças mais lindas que já vi e que me ensinou um novo tipo de amor, um dos mais verdadeiros que já senti, ela tinha Síndrome de Down. Não haviam salas de aula, o ensino era feito ali mesmo no pátio, onde eles ficavam sentadinhos no chão fazendo suas tarefas com ajuda das professoras e dos voluntários. Angeline pegou minha mão e escolheu um lugarzinho ao sol para sentarmos. E então, entendi o porque do senso comum chamar essas pessoas de “Especiais”. Angeline possuía um brilho diferente nos olhos, o sorriso não saia de seu rosto, era uma das crianças mais carinhosas que eu já havia conhecido. […]

Lá entendi que os momentos ruins que passamos vem com o intuito de nos ensinar uma lição muito valiosa, devemos estar sempre atento aos detalhes! Entendi que tudo que nos acontece, não acontece COM a gente, acontece PARA a gente, para o nosso crescimento e desenvolvimento. Tudo aquilo precisava acontecer, a vida teve um jeito de me mostrar. Se prestarmos atenção, poderemos ver a magia acontecendo em qualquer lugar![…] Se aquilo não era motivo suficiente para acordar todos os dias, não sei mais o que é!” Depoimento de Carolina Monze, sobre como o voluntariado mudou sua vida. Você pode ler na íntegra aqui.

Para que Serve?

A espiritualidade, além de nos proporcionar bem estar também é uma poderosa ferramenta de autoconhecimento. Olhar para si mesmo, entender que você é muito mais do que a materialidade é um importante passo para encontrar o equilíbrio consigo mesmo. Além disso, há indícios de que em pacientes com doenças graves a espiritualidade é um meio de autoaceitação. Atualmente, existem pesquisas que comprovam a eficácia de alguma de forma de espiritualidade no pós-operatório. A espiritualidade beneficia não só a nossa cabeça, mas o nosso corpo.

Funciona?

Há pesquisas comprovando que o cuidado com o espírito ajuda com a saúde física e mental. Em entrevista para o jornal Zero Hora, a psicóloga Maria Lúcia Andreoli de Moraes afirma os benefícios da espiritualidade: “Uma pessoa que consegue se perceber como parte de um todo maior se sente menos sozinha. Isso também leva a ter uma ligação mais forte com o outro, a ser mais solícito, ajudar mais, respeitar mais a natureza.” (você pode conferir a matéria completa aqui)

Mulher praticando yoga.

Médicos confirmam, que apesar da espiritualidade ser individual e livre, traz amplos benefícios para pacientes. Há artigos publicados na prestigiada revista JAMA (Journal of the American Medical Associatio) que relacionam a religião e formas de espiritualidade com taxas de mortalidade. No Brasil, a questão de atendimento médico clínico e espiritualidade ainda está sendo discutido. Mas já está comprovado: mais da metade dos pacientes em estado crítico de saúde gostaria que médicos abordassem a espiritualidade como um meio de diminuir o sofrimento físico e psicológico.

Onde encontrar a Espiritualidade?

Onde encontrar a espiritualidade é uma questão muito pessoal. Existem pessoas que se sentem bem com meditação e yoga, prestigiando a natureza e sentindo os elementos. Outras pessoas se associam à igrejas e a religiões e se sentem bem em cultos religiosos. Outras preferem o trabalho voluntario e apenas praticar o bem ao próximo. Cada espiritualidade é única e cabe a cada um de nós procurarmos o melhor meio de entrarmos em contato com a nossa própria espiritualidade.

 

Fontes:

https://jamanetwork.com/journals/jamainternalmedicine/association-religious-mortality/

https://gauchazh.clicrbs.com.br/saude/vida/noticia/2013/11/espiritualidade-pode-trazer-beneficios

https://vejario.abril.com.br/blog/fabiano-serfaty/espiritualidade-faz-bem-a-saude/

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