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Depressão e o comportamento suicida

Muitas pessoas não sabem, mas o número de pessoas que já tiveram pelo menos uma intenção de suicídio é alto. Segundo estudos realizado pela Unicamp, 17% dos brasileiros, em algum momento de suas vidas já pensaram em suicídio. Desse número, 4,8% chegaram até mesmo a elaborar um plano para isso. Simplificando, basicamente quando você está em uma sala com 30 pessoas, 5 delas já pensaram em suicídio.

Porém, a boa notícia é que, na maioria das vezes, podemos evitar que esses pensamentos suicidas virem realidade. Para isso, precisamos quebrar o tabu de falar sobre o assunto, compartilhando as informações necessárias. Saber as principais causas e formas de ajudar pode ser um bom começo para reduzir os números de suicídio no Brasil. Atualmente, 32 pessoas tiram sua vida por dia. Deixe o preconceito de lado e saiba mais informações sobre o suicídio e como ajudar quem passa por isso.

Como surge o comportamento suicida? – A depressão

Antes disso, vamos falar do suicídio. Ele é caracterizado por um gesto de autodestruição, realização do desejo de morrer ou dar fim à própria vida. Pessoas de todas as idades e classes sociais cometem suicídio. No mundo, a cada 40 segundos uma pessoa se mata, o que totaliza quase um milhão de suicídios por ano. Já o número de quem tenta o suicídio é bem maior: de 10 a 20 milhões de pessoas. Um dado interessante é que de cada suicídio, outras 10 pessoas são diretamente impactadas, sofrendo muitas consequências difíceis de serem reparadas.

Normalmente, o comportamento suicida surge como consequência de uma doença psicológica não tratada, como por exemplo síndrome do estresse pós-traumático, esquizofrenia, dependência química ou principalmente a depressão.

depressão

A depressão é um distúrbio da mente que se caracteriza por tristeza e falta de vontade para realizar atividades, até mesmo aquelas que antes nos eram prazerosas. Pode ser caracterizada por momentos em que a pessoa se sente angustiada e sem vontade de fazer suas tarefas diárias, sem forças para trabalhar ou estudar, por exemplo. Além disso, a pessoa também pode sentir uma tristeza profunda ou a incapacidade de se sentir bem e motivado.

Quando a depressão é severa, devemos ficar ainda mais atentos, pois é possível que o suicídio vire uma (infeliz) alternativa para quem sofre da doença.

Como se sente quem quer se matar?

Como já falamos, vários motivos podem levar alguém ao suicídio. Normalmente, um motivo apenas não leva uma pessoa a ter essa vontade, mas sim um conjunto de situações em que a pessoa sente a necessidade de aliviar pressões externas como:

  • Depressão;
  • Ansiedade;
  • Cobranças sociais;
  • Culpa;
  • Remorso;
  • Medo;
  • Fracasso;
  • Humilhação.

Uma pessoa que quer se matar então combina dois ou mais sentimentos ou ideias conflituosas. Esse estado interior de conflito se chama ambivalência. A pessoa então busca atenção por se sentir esquecida, ignorada ou sozinha (isolamento). Essas situações fazem com que os suicidas sintam vontade de desaparecer, fugir ou ir para um lugar/situação melhor.  Eles querem alcançar paz, descanso ou dar um fim aos tormentos que não acabam. Querem parar de sofrer.

Sintomas do comportamento suicida

A seguir, confira alguns sinais de comportamento suicida. Conhecendo-os, ficará mais fácil de identificar se amigos ou familiares estão passando por momentos difíceis.

Mostrar tristeza excessiva ou isolamento

isolamento

Pessoas depressivas estão frequentemente tristes e sem vontade de participar de atividades com amigos ou fazer coisas que davam prazer antigamente. Normalmente, pessoas depressivas não conseguem identificar que estão com a doença. Assim, elas apenas pensam que não estão sendo capazes de lidar com outras pessoas ou o trabalho. Ao longo do tempo, a pessoa começa a se sentir desanimada e sem vontade de viver, se isolando cada vez mais e tendo mais tendências suicidas.

Alterar o comportamento

É normal encontrarmos casos de pessoas suicidas que tenham depressão bipolar. Essa pessoa pode comportar-se de forma diferente do comum. Ela pode falar de outra maneira, deixar de entender o humor em uma conversa ou, até mesmo, participar de atividades de risco como o uso de drogas, dirigir a grande velocidade, etc.

Essas pessoas não têm interesse pela vida. É normal que ela pare de se preocupar com a forma como se veste ou se cuida. Fique atento se seu amigo depressivo está utilizando roupas velhas, sujas, deixando crescer cabelo e barba.

Conversar sobre assuntos pendentes

conversa

Pessoas com comportamento suicida tendem começar a fazer várias tarefas para organizar sua vida e terminar assuntos pendentes, como se estivesse se mudando de cidade, por exemplo. São exemplos dessa situação: visitar familiares que não vê faz tempo, pagar dívidas, oferecer objetos pessoais…

Outra coisa a se observar é se a pessoa passa muito tempo escrevendo. Ela pode estar escrevendo o testamento ou uma carta de despedida. Fique atento.

Calma repentina

Outro sinal de que uma pessoa está pensando na possibilidade de suicídio é demonstrar comportamento calmo e despreocupado depois de um longo período de tristeza profunda, depressão ou ansiedade. Isso porque a pessoa pode achar que encontrou a solução para seu problema.

Isso pode enganar os familiares e pessoas próximas, que podem interpretar esse momento como uma fase de recuperação. Por isso, não deixe de aconselhar a pessoa de consultar um psicólogo.

Fazer ameaças de suicídio

Normalmente, quem está pensando em suicídio irá informar algum amigo ou familiar de suas intenções. Muitas pessoas não dão bola para esses momentos, vendo como uma forma de chamar atenção. Isso está muito errado. Não ignore! A pessoa pode estar pedindo por ajuda.

Como ajudar pessoas com comportamento suicida?

prevenção

Quem está por perto pode e deve ajudar. Esse é outro tabu em nossa sociedade: o medo de oferecer ajuda.

Uma pessoa em uma crise suicida se sente sozinha e isolada. Então, se algum amigo perguntar “tem algo que eu posso fazer para lhe ajudar?”, ela pode se sentir livre para desabafar. Ter alguém para conversar nessas horas faz toda a diferença. Você deve ouvir sem fazer críticas ou dar conselhos, não precisa se preocupar com o que vai falar. É importante que você esteja preparado para ouvir e respeitar a pessoa.

É sempre bom lembrar que o suicídio pode ser prevenido. Segundo a OMS (Organização Mundial de Saúde), 90% dos casos de suicídio podem ser prevenidos, desde que existam condições mínimas de oferta de ajuda voluntária ou profissional.

No Brasil, o CVV (Centro de Valorização da Vida) – rede voluntária de prevenção – atua há mais de 50 anos. Quem precisa de ajuda pode procurar o CVV, que oferece apoio emocional gratuito. Eles atendem por telefone, chat, Skype, e-mail e pessoalmente.

Portanto se, depois de ler esse texto, você acha que algum amigo ou familiar seu apresenta comportamento suicida, indique o serviço do CVV e lembre-se: sempre esteja lá para a pessoa.

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