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Depressão: um Combate Interno Invisível

O Brasil está rankeado entre os países com os maiores índices de depressão do mundo, sendo considerado o país mais depressivo e ansioso da América Latina: cerca de 5,8% da população (11,5 milhões de brasileiros) sofrem com a doença. Segundo diversos pesquisadores brasileiros, as causas são multifatoriais, sendo genes vulneráveis, estresse, questões financeiras, biológicas e sociais.

A depressão é uma doença grave que tem atingido cada vez mais a população mundial. Atualmente cerca de 300 milhões de pessoas no mundo inteiro sofrem com essa doença.  Apenas 10% da população que sofre com a doença recebe o tratamento adequado, enquanto que os outros 90% não recebe tratamento. Conforme dados da OMS essa população ou não tem acesso ao tratamento, pelos mais variados motivos, ou sofre com o tabu em torno da doença.

Foto borrada de uma pessoa mexendo a cabeça rapidamente.

Mesmo com toda a informação que recebemos e campanhas do governo sobre saúde mental, a incompreensão social ainda é uma carga que dificulta o acesso ao tratamento da doença, tanto por parte do individuo quanto social. Não tratar a depressão pode resultar em suicídio. Os dados são alarmantes: cerca de 800 mil pessoas se suicidam anualmente decorrente da depressão. Entenda melhor agora como é o tratamento para a depressão e como encontrá-lo. 

Depoimentos

Veja alguns relatos de pessoas que sofrem com depressão e convivem com ela:

“Os poucos amigos que notam essa mudança no seu comportamento começam a se preocupar. Mas, claro, nem todos sabem lidar com a doença. Não que sejam culpados: talvez só nunca tenham tido que lidar com a doença. Vão tentar te animar, vão te dizer para vestir uma roupa bonita e ver o mundo (o que quer que isso signifique). Vão falar que você precisa se esforçar, que não pode se deixar afundar. Vão, enfim, sem que saibam, exigir de você um esforço que você já se cobra todos os dias, e pelo qual você já se pune todos os dias por não conseguir atingir. Vão te pressionar sem querer. […]

Por favor, não desistam. Alguém que tem depressão vive todos os dias na beiradinha da desistência de si mesmo. Não falo aqui necessariamente de suicídio, mas de entregar-se de vez, de largar-se na cama até algo acontecer, de se deixar engolir pelo monstro.

Ao contrário do que novelas e filmes possivelmente mostrem, nós, que temos depressão, passamos às vezes dias inteiros dando risada, dançando, cantando, fazendo tarefas domésticas/acadêmicas/escolares, curtindo a companhia dos amigos ou da família etc. O problema é ninguém conseguir entender que, quando se tem depressão, os dias bons apenas permeiam uma longa linha de dias terríveis, cujo começo nós já nem lembramos mais e cujo fim só podemos esperar que venha breve.” – Texto de Gabriel Camargo Gentilini, disponível em Medium.

Foto em preto e branco de uma mão com uma aliança no dedo anelar apoiada em um vidro com gotas de chuva.

“Quem percebeu que eu estava deprimida não fui eu, foi uma ex-chefe minha. Seis anos atrás, eu estagiava numa empresa muito importante da minha área. Eu gostava à beça do trabalho e estava muito empolgada para ter um bom desempenho e, quem sabe, ser efetivada no final do meu contrato de estágio. Em algum momento que eu não sei precisar exatamente, minha empolgação deu lugar a um enorme desânimo, descontentamento e frustração.

[…] Muitas vezes eu simplesmente virava a noite, porque não conseguia dormir e no dia seguinte tinha que acordar cedo para ir à faculdade de manhã. Depois, o estágio. Tudo isso numa cidade altamente estressante, o Rio de Janeiro, que realmente não colabora para o bem-estar de ninguém. […] Cada vez mais frequentemente, eu caía no choro no último ônibus de volta para casa. Chorava de cansaço, de tristeza, de estresse, de não ver mais sentido em nada do que estava fazendo. Precisei trancar várias matérias da faculdade porque ficou insustentável fazer essa maratona todos os dias da semana. E foi ficando cada vez mais difícil acordar de manhã.

[..] Eu levei muito tempo para pedir ajuda. Não foi menos de dois anos depois de ouvir “Letícia, você está deprimida” que eu de fato decidi fazer alguma coisa a respeito.  Foram eles (pais) que me levaram à minha primeira consulta com um psiquiatra, que imediatamente identificou meu quadro como depressivo e me receitou antidepressivos — ele é homeopata, não receitaria se não fosse realmente necessário. Tive muito medo de começar a tomar remédios psicotrópicos e adiei esse momento por vários meses, durante os quais a caixa ficou dentro da gaveta.

[…] Não posso deixar de frisar mais uma vez: chegar até ali levou um bocado de tempo, anos, e demandou muito esforço pessoal e muito trabalho em conjunto na análise e com os outros médicos que vi anteriormente — cujos esforços, mesmo não tendo resultado no diagnóstico correto, sem dúvida contribuíram de alguma forma no meu autoconhecimento. Porque é assim que se chega à cura, entendendo a si mesmo.”  Texto de Letícia disponível em: Medium.

Cena do filme Melancolia, de Lars von Trie

Onde encontrar Tratamento?

Se você reconhecer algum dos seguintes sintomas busque ajuda imediatamente:

  • Humor triste, melancólico por um longo período de tempo;
  • Sentimento de desesperança;
  • Sentimento de desamparo;
  • Apatia;
  • Isolamento social;
  • Choro excessivo;
  • Excesso de sono ou insônia;
  • Fadiga;
  • Falta de concentração, confusão mental.

A depressão tem tratamento, podendo ser completamente controlada. O primeiro passo é buscar apoio com amigos e familiares. Se você conhece alguém que apresenta algum dos sintomas acima, se disponha a ajudar a buscar ajuda psicológica ou psiquiátrica. O depressivo não precisa que o digam que ele precisa sair para ver pessoas, ele precisa de incentivo para se tratar. Clínicas psicológicas são comuns e a primeira consulta costuma ser mais barata que o tratamento. Na psicoterapia o psicologo irá encaminhar o paciente para um médico psiquiatra.

Lembre-se que cada corpo é um corpo e portanto os remédios podem ter diferentes efeitos. Antidepressivos costumam levar tempo para fazer efeito. É muito comum a troca de remédios. Nesse período, o apoio de familiares e amigos é essencial para que o depressivo consiga avançar no tratamento.

Quanto Custa?

O tratamento para depressão não costuma ser barato. Psicólogos costumam ser bastante acessíveis, alguns até personalizam o valor de acordo com a situação do paciente. O valor por consulta varia entre R$50 a R$300. O SUS e o Centro de Atenção Psicossocial fornecem tratamento psíquico de forma gratuita conforme disponibilidade. O valor da consulta com médico psiquiatra varia muito conforme plano de saúde ou consulta particular. Os preços chegam a R$300 por consulta.

Remédio tarja preta

 

Fontes:

http://g1.globo.com/sp/presidente-prudente-regiao/blog/psicoblog/post/os-sinais-da-depressao-em-idosos.html

http://www.saude.gov.br/saude-de-a-z/saude-mental/depressao

http://www.saude.gov.br/saude-de-a-z/saude-mental

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