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Tratamento com Arteterapia desenvolve habilidades em pessoas autistas

Ao longo dos anos, muitos tipos de terapia foram criados para que consigamos nos expressar de uma forma melhor, porque quando usamos essas técnicas, aprendemos mais sobre nossos próprios sentimentos, tendo um controle sobre eles. A partir disso, a comunicação se torna mais fácil e clara, influenciando numa qualidade de vida melhorada que beneficia tanto nossas relações sociais quanto nossas próprias emoções e percepções sobre o mundo.

Para pessoas com transtornos e outras condições de saúde, essas terapias têm se mostrado extremamente eficientes como um tipo de tratamento, trazendo diversos benefícios para o bem-estar mental e social desses indivíduos. A Arteterapia, em especial, é uma das mais famosas e pode ser bastante útil para o desenvolvimento da comunicação e outras habilidades de pessoas autistas.

Para entender melhor a relação entre a Arteterapia e o Autismo, é preciso primeiramente conhecer as características de cada um. Portanto, veja a seguir os aspectos necessários de cada assunto e saiba os benefícios do tratamento.

O que é Arteterapia?

pessoas pintando durante sessão de arteterapia

A Arteterapia consiste na união de conceitos da arte e psicologia, funcionando como um processo terapêutico que usa a criatividade artística a fim de aprimorar o bem-estar mental, físico e emocional do indivíduo. A partir de atividades envolvendo pintura, música, escultura, cerâmica, desenho, fotografia e teatro, é possível estabelecer uma comunicação verbal e não verbal entre o profissional e o paciente, fazendo com que a pessoa consiga compreender e expressar de uma forma mais clara seus sentimentos e emoções. Além disso, é importante ressaltar que esse procedimento não serve apenas para crianças, mas também para pessoas de todas idades.

O que é Autismo?

criança debruçada numa mesa

O Autismo, também chamado de Transtorno Espectro do Autismo (TEA), é uma condição psiquiátrica que costuma se manifestar na infância, sendo mais comum em meninos entre as idades de 1 e 3 anos. Com isso, tanto a capacidade de comunicação quanto a de aprendizado e adaptação são afetadas, fazendo com que a pessoa tenha mais dificuldade para estabelecer relações sociais e, por esse motivo, acabe vivendo de uma forma mais isolada.

Em geral, os comportamentos característicos do distúrbio estão relacionados principalmente com a incapacidade de usar a fala para se expressar, ler rostos e entender a linguagem corporal. Dessa forma, os autistas passam por dificuldades não só ao ao tentar compreender e manter uma conversa estável com outras pessoas, mas também ao tentar diferenciar uma piada de um discurso ou sarcasmo da sinceridade.

Além disso, é importante ressaltar que o Autismo é classificado em graus, que apresentam um nível de necessidade de acordo com a presença de sinais e comportamentos gerados pelo distúrbio. Dessa forma, eles são classificados em:

Nível 1 – Necessidade de pouco apoio

Comunicação Social

  • É preciso que haja um apoio contínuo para que os prejuízos causados pela dificuldade na interação social não sejam maiores;
  • O autista sofre com dificuldades ao tentar se comunicar com outras pessoas, podendo apresentar respostas inconsistentes;
  • Em geral, não costumam demonstrar interesse em interagir ou se relacionar com outras pessoas.

Comportamentos repetitivos e restritos

  • O autista apresenta comportamentos repetitivos e, quando fica por muito tempo realizando uma mesma atividade, pode ter dificuldades ao mudar para outra;
  • Problemas para se organizar e planejar atividades podem prejudicar e causar obstáculos à busca da independência da pessoa.

Nível 2 – Necessidade de apoio substancial

Comunicação Social

  • É possível notar um déficit bastante explícito nas habilidades de comunicação tanto verbais quanto não-verbais;
  • Embora haja apoio, existe um prejuízo social evidente por conta da falta de interesse de interagir com outras pessoas;
  • Nota-se uma limitação ao dar início às interações, apresentando respostas reduzidas ou anormais em conversas que partem do outro.

Comportamentos repetitivos e restritos

  • Possui uma inflexibilidade comportamental e tenta evitar mudanças na rotina, uma vez que sofre dificuldades em lidar com costumes novos ou diferentes;
  • Parentes e amigos que raramente têm contato com a pessoa acabam notando as características da condição;
  • Existem mais dificuldades na tentativa de mudar o foco e atividade que realiza, podendo sofrer com muito estresse de forma mais frequente.

Nível 3 – Necessidade de apoio muito substancial

Comunicação Social

  • É possível notar prejuízos bastante graves tanto na comunicação verbal quanto na não-verbal;
  • Sofre com uma limitação bastante grande, que impede o início de novas interações e apresenta quase nenhuma resposta as tentativas de outras pessoas.

Comportamentos repetitivos e restritos

  • Grande inflexibilidade no comportamento;
  • A dificuldade extrema em lidar com alterações na rotina, assim como os comportamentos repetitivos, prejudica diretamente diversas atividades do cotidiano;
  • Sofre com um alto nível de estresse e resistência nas tentativas de mudar o foco ou atividade.

Como a Arteterapia pode ajudar uma pessoa autista?

Criança autista pintando durante sessão de arteterapia

Embora que ainda não exista uma cura para esse distúrbio, é possível amenizar seus efeitos através de um tratamento precoce e intensivo, que atenda as necessidades do indivíduo de acordo com o seu grau de Autismo. O principal deles é conhecido como a Análise do Comportamento Aplicada (ABA), que tem como objetivo adaptar comportamentos através de um sistema de recompensas e consequências. A partir desse suporte, é possível desenvolver habilidades de comunicação e aprimorar a capacidade de aprendizado da pessoa.

No entanto, o tratamento tradicional não é uma alternativa única, uma vez que terapias que usam técnicas visuais e artísticas, como a Arteterapia, são geralmente muito efetivas e complementares para o processo, proporcionando benefícios cognitivos e sociais aos autistas.

O tratamento através da Arteterapia exercita a imaginação, estimula a afetividade e ajuda o autista a criar laços com outras pessoas, tanto por meio da comunicação verbal quanto pela não verbal. Essas habilidades são desenvolvidas de uma forma mais confortável e eficaz, e podem auxiliar em questões sensoriais, como sons, luzes, texturas e cheiros, fatores que costumam ser incômodos para autistas.

Por fim, embora que as pesquisas em relação aos benefícios da Arteterapia ainda sejam um pouco vagas, a literatura apresenta uma quantidade significativa de análises sobre o impacto que esses programas causam em pessoas com Autismo. Assim, é possível observar que as técnicas envolvendo a arte podem desenvolver uma série de habilidades, incluindo a melhora nas capacidades de imaginar e pensar simbolicamente, reconhecer e responder às expressões faciais, e coordenações motoras finas.

Fontes: 

http://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/cd03_14.pdf

https://www.researchgate.net/publication/274841703_Arteterapia_a_arte_como_instrumento_no_trabalho_do_Psicologo

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